TrabalhoTrabalho – Postes e Cadeiras

Vamos falar neste artigo sobre postes e cadeiras no mundo corporativo (por extensão na vida). Estranho? Fútil? Desnecessário? Talvez sim, talvez não. Mas reflexivo sobre trabalho com certeza.

Qual a função de um poste? Iluminar ruas, ambientes e locais em geral. Iluminar para gente e veículos de uma forma geral passar ou ficarem mais seguros. Tornar mais segura uma viagem, um caminho, uma trajetória, um trabalho enquanto se pensa ou se vai em direção a uma tomada de decisão, etc. Mas funciona com alguém comandando, acionando algum mecanismo, com uma intenção.

Já a cadeira, abriga gente no trabalho cansada, descansada, pensativa, acomodada, criativa, burocrática, maquiavélica, poderosa, simplória, honesta e sem caráter. Mas abriga apenas, com maior ou menor conforto, esse numeroso grupo de humanos diferentes.

Mas iluminação e conforto são apenas detalhes físicos de uma engrenagem em uma corporação e muitas vezes só são lembrados na sua falta ou no luxo a ser montado. Na sua essência, ela deve ser a companheira de ideias, de solidariedade, de crescimento, de humanidade e de prazer pelo trabalho. Impregnados por um espírito limpo.

Está Faltando Companheirismo no Trabalho?

Atualmente estes artefatos, são acompanhados em sua imensa maioria por uma atitude egoísta desprovida de coletividade e de melhoria contínua em quem aciona os botões para ligar a luz e em quem senta nas referidas cadeiras, para tomar (ou ingerir) decisões.

Em resumo, temos um enorme curto-circuito nos postes e uma infinidade de cadeiras quebradas. Temos gente cansada e rotineira, política e amedrontada, medrosa e adestrada, cega, surda, muda e muito amadorismo para colher resultados revisíveis e imaginados.

Temos organogramas que mostram poder, não inter-relações, temos missão, visão e valores empresariais que apenas estão em manuais e quadros pendurados (e empoeirados) no papel e na parede apenas, e não, em corações e mentes. E temos certificações (que são como roupas de grife), mostrando o exterior, não o interior de verdade. E equipes que se juntam pelo crachá e pelo sobrenome organizacional.

O mais comum que está feito, é a troca de relés, bobinas, móveis e outros artefatos inanimados, que podem levar a culpa quietos, sendo facilmente substituídos. Mas a alma da mesmice continua impregnada nos locais e em muita gente.

Mas o buraco está muito mais acima e profundo. Está na coragem, no comprometimento, no caráter e na responsabilidade. Coragem de ir além, de ser companheiro e de querer coisas grandes, sendo coletivo e domando seus egos. E tendo atitudes bravias.

No comprometimento, com seu projeto de vida, de carreira, de ser humano, de amigo e de família. No caráter de não se vender pela ilusão do dinheiro, do seu tempo ao tédio, a obediência cega e a conquista material, além de uma pseudo segurança que mata. Por isso, tanto zumbi e tanta falta de sangue nas veias. Por isso dá tanto ibope a “Zona de Conforto”

E responsabilidade, de saber que quando for acender uma luz, estará iluminando seu papel na vida e de quando sentar estará movimentando a vida de muita gente, matando o sedentarismo e o deserto de ações comuns.

Os resultados de um trabalho, acima de metas a serem alcançadas, são o prazer de acordar e ir para o trabalho, a criação de um fato novo, a ajuda ao próximo, a alegria, o riso e o bom humor, a gentileza e a vontade de voltar no dia seguinte, mais renovado, mais gente.

Mas talvez eu queira muito, esperando isso tudo. Afinal de contas, postes são postes, cadeiras são cadeiras e zumbis são zumbis. O último que chegar, por favor, acenda a luz.